A prioridade da criança é brincar, não criar currículo, diz Pediatra

By 22/01/2018Diversos, Filhos

 

É comum os pais, oferecem para seus filhos cursos de inglês, música, reforço escolar, entre outros, tudo para capacitá-los. No entanto especialistas dizem que a prioridade da criança é brincar. É nas pequenas distrações que os pequenos aprendem habilidade importantes para a carreira quem vem anos mais tarde.

O pediatra Daniel Becker, pesquisador do Instituto de Estudos em Saúde Coletivo da Universidade Federal do Rio de Janeiro, defende que a visão curricular pode desenvolver comportamentos de competitividade e individualismo.

Para o especialista, na infância, a prioridade é brincar, atividades que não poderão ser repetidas em outra etapa da vida e que é capaz de estimular uma série de competências humanas que nenhuma sala de aula poderá ensinar.

“Nós vivemos uma cultura de excesso de valorização da aprendizagem com adultos, é um paradigma da escola do desenvolvimento. Como se o desenvolvimento de uma criança só se desse na sua interação com adultos, em aulas, supervisões, atividades programadas e estruturadas. Quando, na verdade, isso só provê essa criança de um tipo de ganho, um tipo de inteligência”, diz ele.

Segundo o pediatra, a criança que brinca com amigos vai aprender a negociar, interagir, ter empatia, ouvir o outro, se fazer ouvir, avaliar riscos, resolver problemas, desenvolver coragem, autoregulação, auto estímulo, criatividade, imaginação..uma série de habilidades que nehuma sala de aula vai oferecer.

“E elas são muito mais importantes para um adulto bem-sucedido do que uma aula de Kumon ou violino. Não que precisemos desvalorizar a importância de matricular nossos filhos em algumas atividades, mas é importante nunca esquecer que brincando livremente na natureza a criança está aprendendo.”

Becker ainda aponta que esse “excesso curricular” pode acarretar até prejuízos:

“Há algumas pesquisas que já estão avaliando que as crianças da geração Y, os millennials, que foram superprotegidas e foram vítimas desse excesso de escolarização, estão se tornando adultos narcisistas, incapazes de lidar com a frustração e com o conflito, tendem a fugir das intempéries… A criança tem que cair e ralar o joelho. Porque a vida dói, a realidade dói. Mas passa. E, no dia seguinte, o machucado ganhou uma casquinha, o corpo está reagindo e fazendo alguma coisa. Daqui a pouco, aquela marquinha sumiu e o joelho voltou ao normal. Olha tudo o que ela aprendeu ali sobre enfrentar a dor, sobre saber que essa dor passa e que o corpo funciona e se regenera. Que aula vai oferecer a ela essa experiência?”