“Meu bebê nasceu sozinho”, diz mãe após dois hospitais negarem atendimento

By 01/03/2018Diversos, Filhos, Gravidez

 

A mãe Enir Rodrigues Sousa , de 35 anos, dois hospitais disseram para ela voltar para casa, e o seu bebê nasceu sozinho.

Foi no inicio de fevereiro que a gestante, procurou o hospital Regional de Santa Maria (HRSM) e o Hospital Regional Gama (HRG), mas acabou tendo seu filho em casa.

“Comecei a perder líquido no dia 1º e fui para o hospital de Santa Maria. Quando cheguei, um médico disse que minha bolsa tinha estourado e, como estava com 37 semanas, já poderia induzir o parto. Ele me encaminhou para o hospital do Gama. Lá, outro médico chegou a fazer o exame de toque, mas me mandou para casa”, disse Enir

“Eu sentia muita dor, estava com 2 centímetros de dilatação, mas o médico me deu uma injeção e mandou que eu voltasse para casa. Questionei, falando da minha dor, e ele disse: ‘Onde já se viu grávida não sentir dor’?, como se fosse algo normal”, relata.

Conforme conta Enir, ela chegou em casa por volta das 21h, tomou banho e foi deitar na cama. Mas as dores continuaram e, às 00h58, Joaquim Villaneuva de Sousa veio ao mundo.
“Na hora ninguém ajudou, nem eu percebi. Nunca imaginei que isso aconteceria comigo. Mas ele nasceu sozinho. Quando percebi, gritei”, lembra Enir.

Ela conta que o cordão umbilical esta enrolado no pescoço do bebê, mas não apertava, então sua amiga conseguiu retirá-lo. Foi então que chegou a SAMU e eles cortaram o cordão umbilical e levaram os dois para o HRG.

Quando chegaram ao hospital os dois foram separados, o bebê nasceu com algumas complicações, ele estava muito fraco,e foi preciso colcar no oxigênio.Os dois tiveram infecção.
“Só consegui amamentar o meu filho na quarta-feira (7). Antes disso, ele ficou tomando soro e leite por sonda”, relata.

“Não sei nem como descrever como me sinto depois de tudo isso. Era como se eu estivesse pedindo um favor para eles, para cuidarem do meu filho. Foi muito difícil para mim vê-lo daquele jeito”, disse Enir. “Mas hoje só tenho a agradecer a Deus, porque poderia ter acontecido algo com o meu bebê. Agora é tentar superar tudo que aconteceu com a gente”, ressalta.

O outro lado
A Superintendência da Região de Saúde Sul informou que Enir deu entrada no Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) no dia 1º de fevereiro, às 11h44, alegando perda de líquido. Ela estava com idade gestacional em torno de 37 semanas. Após ser atendida e avaliada, foi orientada a procurar o Hospital Regional do Gama (HRG), pois é a unidade da região referência em partos de idade gestacional acima de 37 semanas de baixo risco. O HRSM é referência para partos de alto risco.

No mesmo dia Enir procurou o HRG, onde foi avaliada, examinada e orientada a retornar à sua residência, pois seu quadro clínico não indicava internação no momento.

No dia seguinte (2), ela procurou novamente o HRSM, onde mais uma vez passou por avaliação e foi orientada a buscar atendimento no HRG. Ao dar entrada no Hospital do Gama, nesse mesmo dia, às 21h17, Enir ficou internada para observação. No sábado (3), ela permaneceu em observação até às 14h51, onde recebeu alta por não estar em trabalho de parto. Foi orientada a retornar ao hospital caso o ritmo das contrações aumentasse. Não foi identificado, através de exame clínico, a perda de líquido.

No domingo (4), a paciente deu entrada no HRG, mais de 24 horas após a última avaliação no hospital, encaminhada pelo Samu, após parto domiciliar. Na terça-feira (6), a mãe apresentou febre puerperal, com suspeita de infecção, e iniciou o tratamento com antibiótico. Do dia 4 a 6, o bebê foi alimentado por sua mãe. No entanto, entre os dias 6 e 8, o bebê precisou ser alimentado por sonda, pois foi identificada incompatibilidade sanguínea com a mãe. Por este mesmo motivo, o bebê apresentou ainda anemia fetal e precisou de fototerapia. Na sexta-feira (9), o bebê retornou à alimentação materna.

De acordo com a Secretaria de Saúde, não houve qualquer separação entre mãe e filho, eles permaneceram no mesmo andar.

“Cabe informar que nenhum dessas complicações apresentadas por mãe e filho têm relação com o parto em casa, mas sim com a incompatibilidade sanguínea. Ambos receberam toda a assistência necessária desde que chegaram a unidade. Os pacientes receberam alta no dia 13/02”, disse em nota.

Fonte consultada: www.metropoles.com